A Transportes Pesados Minas (Transpes), empresa que transporta cargas indivisíveis, está comemorando a conquista da certificação ISO 9002. O selo foi concedido pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, da Universidade de São Paulo (USP). Para conseguir o certificado, a transportadora investiu R$ 130 mil, num trabalho de 24 meses. Com a ISO, a expectativa é a de aumentar o faturamento em cerca de 10%. No ano passado, a empresa faturou R$ 15 milhões.
“A certificação é o passaporte para a qualidade total na empresa. Com ela, poderemos oferecer mais garantias ao cliente. O retorno do investimento realizado não é financeiro, mas institucional”, diz a diretora administrativa e presidente do Núcleo de Qualidade da Transpes, Tarsia de Castro Gonzalez. Ela conta que a busca pela ISO 9002 começou há três anos. “Foi um trabalho sério e de conscientização total dos funcionários”, lembra Tarsia Gonzalez. No total, segundo ela, foram mais de duas mil horas de treinamento com todos os 160 empregados. Dois órgãos gerenciaram todo o processo: o Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e o Instituto Internacional IQNet.
Satisfeita com o resultado alcançado, a executiva acredita que o mundo vive uma era sem precedentes, onde somente irá se sobressair quem realmente estiver preparado. “Essa preparação passa pelo respeito ao cliente. As nossas políticas da qualidade passam por três itens: atender muito bem os clientes, prestar serviços de qualidade e investir na valorização profissional dos funcionários”, salienta.
- Primeira empresa certificada em Minas
Ela explica que foi traçado um ciclo de serviço ao cliente que envolve vários pontos, do recebimento do pedido e planejamento da viagem, passando pela conferência dos equipamentos de carregamento e descarregamento à solicitação do aceite do cliente. Primeira empresa certificada com o selo em Minas, a Transpes registra hoje uma carteira de aproximadamente 350 clientes no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Usiminas, Petrobras, Açominas, Vale do Rio Doce e Fiat são alguns dos clientes da Transpes no Brasil. Os transportes regionais respondem por 35% do total. Entre os serviços realizados, estão transporte de carga especial em peso e/ou dimensões, transporte de produtos siderúrgicos, transporte de containers, transporte em regime de trânsito aduaneiro e serviços de carregamento e descarregamento. Ao todo, a Transpes possui 124 equipamentos, entre carretas, conjuntos leves e pesados. A carga máxima é de 120 toneladas. Fora renovação de frota – a idade média é de seis anos -, a empresa investe anualmente 5% do faturamento em treinamento de pessoal. (RP)
- Empresa aposta no futuro do país
Quando desembarcou no Rio de Janeiro, vindo da Espanha, Tarciscio Gonzalez não imaginava que poderia construir um império.
Motorista de caminhão, ele optou por trabalhar em Belo Horizonte, na área de transporte de hortifrutigranjeiros em feiras livres. Os negócios foram prosperando até que ele decidiu fundar, há 33 anos, a Transpes.
Ainda à frente da empresa – aos 68 anos de idade – , Gonzalez preparou a segunda geração da família para assumir o comando. A filha Tarsia, formada em Ciências Contábeis, ficou com a área administrativa e de qualidade, enquanto o engenheiro mecânico Alfonso Gonzalez assumiu a área operacional. Já o administrador de empresas Sandro Gonzalez foi designado para ocupar o setor comercial da Transpes.
A história da empresa passa pela história do país. Alfonso lembra a amizade da família com o ex-presidente Juscelino Kubitschek. “Meu pai transportou a primeira máquina para a construção de Brasília, inaugurada em 1960.” Segundo ele, o pai seguiu na época os conselhos de Kubitschek de se enveredar pela área de transportes pesados, “um negócio promissor”.
- Apesar da crise, há otimismo
Sediada numa área total de 10 mil metros quadrados no bairro São Gabriel, em Belo Horizonte, a Transpes conta hoje com filiais no Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória (ES).
Embora o país atravesse uma fase difícil, Alfonso Gonzalez aposta no futuro. “Realmente, a desvalorização do real e os cortes promovidos pelo governo federal agiram como um balde de água fria, mas a expectativa é de que o Brasil consiga superar este momento”, ressalta. Ele acredita que, a partir do mês que vem, com a estabilização cambial, as estratégias traçadas pelo governo federal poderão ser retomadas. (RP)
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