O crescimento da economia brasileira tem impulsionado o setor de logística, considerado um dos mais importantes para a consolidação do país como potência econômica mundial. Parte desse movimento é decorrente da ampliação dos investimentos na área de energia, sobretudo na construção de novas hidrelétricas e de parques eólicos. Esse aumento, porém, poderia ser ainda maior, não fossem os gargalos de infraestrutura do país.
Enquanto a quantidade de cargas circulando nas rodovias tem crescido a cada dia, o volume de investimentos destinado à melhoria das estradas brasileiras continua aquém do necessário. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada Ipea), a situação das rodovias federais aponta a necessidade de investimentos de mais de R$ 180 bilhões em obras de infraestrutura.
Esses gargalos resultam em perdas de divisas para o país. Em locais de difícil acesso, empreendimentos ficam à espera de cargas que não chegam. Fatos como esses não são incomuns. O estudo de viabilidade logística prévio ajuda a reduzir a recorrência dessas situações, por meio do planejamento de um trajeto mais adequado à passagem do veículo.
No entanto, nem sempre é possível evitar determinados trechos e o jeito é se sujeitar às condições da estrada. Em março, a queda de uma ponte na rodovia 548, em Candeias do Jamari, Rondônia, impediu o tráfego de veículos na região. Devido a isso, várias de nossas carretas que transportavam uma carga especial para um empreendimento que está sendo construído no Norte do país tiveram que ficar paradas.
O aquecimento da economia brasileira também ajuda a explicar o aumento da circulação, nas rodovias, de veículos especiais, cujas dimensões são maiores do que as convencionais. Em 2011, por exemplo, fizemos transporte de 261 pás de 50 metros cada, para construção de um parque eólico em Santa Catarina. Nessa operação, foi necessário fazer diversos desvios, pois havia vários trechos no caminho que não comportavam a passagem das carretas. Também foi preciso contar com o apoio das Polícias Rodoviárias Estadual e Federal. Agora, estamos levando 76 segmentos de torres para uma usina semelhante que será construída no Ceará. E como novas obras devem sair do papel, tudo sinaliza que, nos próximos anos, esse movimento deve ser ainda maior.
Esse quadro faz com que o investimento em segurança seja ainda mais importante. Não basta comprar equipamentos novos, se não houver um trabalho de conscientização junto à população. A falta de informação pode trazer riscos para os condutores leigos e o resultado pode ser um acidente de graves proporções.
Foi o que ocorreu no último mês de março, em Felixlândia, região Central de Minas, quando um ônibus bateu em uma carreta que transportava uma carga de grandes dimensões ao tentar fazer uma ultrapassagem, provocando a morte de 17 pessoas.
As carretas que fazem o transporte de cargas volumosas são sempre escoltadas por um veículo menor, sinalizado com bandeiras e cores fortes. Ao avistar um, o motorista precisa, em primeiro lugar, manter a calma e reduzir a velocidade. Se estiver em faixa dupla, ele deve se deslocar para a direita e, em faixa contínua, para o acostamento. A ultrapassagem é proibida. Medidas simples, mas que podem ajudar evitar grandes tragédias.
Sandro Gonzalez, diretor presidente da Transpes
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